A intervenção do Presidente da República no passado dia 31 de Julho tem dado "pano para mangas".
Contudo, poucos se terão apercebido que esta intervenção foi (e será), de facto, marcante. Esqueçam o Estatuto dos Açores, a cooperação estratégica, o problema das Autonomias e outros pretextos enunciados que não passam disso mesmo.
Habituei-me desde muito cedo a admirar Cavaco Silva pela exigência e profissionalismo que coloca na vida política. Com ele, não há espaço para o acaso, nada é improvisado, o risco é reduzido ao mínimo, as palavras são medidas, as acções são pensadas, os gestos carregam significado.
Eis a minha opinião:
Esta intervenção simboliza a afirmação do PR como patriarca da Nação. Quando quer, é ele o maestro da orquestra.
Esta crescente afirmação (subliminar, admito) do papel do PR terá uma brutal relevância, no período pós-eleitoral em 2009. É isso que preocupa Cavaco.
Se se confirmar o cenário (hoje muito provável) de nenhum dos dois grandes partidos alcançar uma maioria confortável, a pressão de Belém para um entendimento será muito forte. Com "magistério de influência" ou, quem sabe, mesmo com um governo de iniciativa presidencial. Em qualquer dos casos, o peso político de Cavaco, à época, será determinante. É nisso que Belém está a jogar. E bem!
Cá estaremos para ver. |