O Presidente da República tem assumido de forma irrepreensível a "cooperação estratégica" com o Governo, tal como se comprometeu com os portugueses.
Contudo, sendo esta busca constante do "ponto de equilíbrio" um exercício muito delicado, é natural que possam surgir excepções à regra.
Na minha opinião pessoal, perante a degradação acentuada do ambiente - de desmotivação e instabilidade - que se vive nas nossas escolas, o Presidente da República deveria ter intervindo com maior assertividade.
No actual contexto, as suas palavras no Colégio Militar soam a uma estéril ambiguidade.
É sabido que as decisões do Governo na área da Educação (algumas até grosseiramente ilegais) têm merecido uma distraída aceitação acrítica de Belém. Mas o ponto de crispação a que se chegou - insustentável para quem vive o quotidiano das escolas - não pode ser mais negligenciada pelo Presidente da República.
Até porque essa crispação se deve - em grande parte - à atitude do Primeiro-Ministro e da Ministra "criada à sua imagem e semelhança".
Se um Presidente não serve para intervir nestes momentos, em que a qualidade do ensino que é ministrado às nossas crianças e jovens se está a deteriorar perigosamente, serve para quê? |